Os festivais de cinema funcionam como uma celebração da sétima arte, além de oferecer visibilidade à pequenos diretores: um caso célebre foi o de Akira Kurosawa, reconhecido mundialmente com o lançamento de “Os Sete Samurais” no Festival de Cannes. Porém, ao longo das décadas, um outro papel vem ganhado força: o de termômetro das premiações da indústria de entretenimento americana. Neles, produtores lançam seus principais produtos e, mediante a recepção da crítica e do público, avaliam a força dessas obras em uma competição nacional por indicações ao Globo de Ouro, WGA Awards, SAG Awards e, obviamente, o Oscar.

 

Caso sejam recebidos com entusiasmo, esses filmes recebem alto investimento em marketing para continuarem “quentes” até dezembro, quando as votações são abertas. Elenco e equipe entram em um espiral de entrevistas, sessões especiais com debates e tapetes vermelhos, materiais promocionais com a etiqueta “for your consideration” são entregues aos votantes das Academias…

 

Assim, os festivais assumiram um lugar ativo na corrida pelos prêmios. Por isso, separamos uma lista daqueles que foram muito bem recebidos e já estão sendo fortemente cotados para o Oscar. Para efeito didático, separamos os principais destaques da cada um dos mais importantes festivais.

 

SUNDANCE: Antes visto como determinante para a entrada de produções independentes no Oscar, perdeu um pouco do impacto nos últimos anos, mas continua sendo um reduto de uma seleção excelente de filmes menores.

 

“Me Chame Pelo Seu Nome”

 

 

O drama de Luca Guadagnino, baseado no livro homônimo de André Aciman, foi o mais aclamado do Festival, tendo reprisado o excelente desempenho no Festival de Toronto. Retrata um romance entre o jovem e inexperiente Elio Perlman (Timothée Chalamet) e o assistente de seu pai, Oliver (Armie Hammer). A premiada A24 e a brasileira RT Features assumem a distribuição internacional do longa.

 

CANNES: O maior destaque, sem dúvidas, foi o ganhador da Palma de Ouro, o sueco “The Square”, que satiriza o narcisismo humano em uma trama rodada durante uma exposição de arte. O filme foi escolhido pelo país como representante para tentar uma vaga entre as produções internacionais.

 

“Projeto Flórida”

 

 

Dos filmes americanos, o único que continua sendo falado é o longa do diretor Sean Baker, pouco conhecido do público, mas aclamado pela crítica anteriormente por “Tangerine”. Filmado de forma independente, retrata o relacionamento do gerente de um motel barato nos arredores da Disney com uma garotinha que vive lá com a mãe. O filme é mostrado pelos olhos inocentes da garota. A sua real chance de premiação vem da atuação de Willem Dafoe.

 

VENEZA: festival mais antigo, continua bem prestigiado pela indústria, unindo filmes de arte à obras mais comerciais.

 

“A Forma da Água”

 

Guillermo Del Toro retorna ao tom lúdico – que o tornou famoso em “O Labirinto do Fauno” – para construir uma história de amor entre uma mulher surda e uma criatura do mar presa em um laboratório. Ao explorar o romance, o diretor toca em questões como preconceitos sociais e aceitação das diferenças. Foi aplaudido de pé nas exibições e ganhou o Leão de Ouro. Foi novamente aclamado por público e crítica no Festival de Toronto. É, até o momento, o candidato mais solido à indicações.

 

TELLURIDE: bem mais novo que os outros, se tornou extremamente conceituado por apresentar filmes que mais tarde seriam indicados, como “La La Land: Cantando Estações”.  Além disso, lançou a carreira do diretor Barry Jenkins ( ganhador do Oscar de Melhor Diretor por “Moonlight: Sob a Luz do Luar”), que é programador do festival há 08 anos.

 

“A Guerra dos Sexos”

 

Baseado em fatos reais, retrata as provocações machistas que a jovem tenista Billie Jean King (Emma Stone) sofreu do veterano Bobby Riggs (Steve Carell), que a convidou para um embate. Dirigido pela dupla Valerie Faris e Jonathan Dayton (de “Pequena Miss Sunshine”), teve uma recepção calorosa, algo replicado nas suas exibições em Toronto.

 

“Lady Bird”

 

 

Debut diretorial de Greta Gerwig, que firmou seu nome no meio artístico ao atuar em produções indies como “Frances Ha” e “O Plano de Maggie”. É uma história meio autobiográfica que sobre o processo de amadurecimento da jovem Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan), mesclando drama e comédia. Muito elogiada pelo roteiro e atuação da Ronan no papel principal.

 

“O Destino de uma Nação”

 

 

Maior sucesso do festival, foi aclamado pela qualidade técnica do diretor Joe Wright (“Desejo e Reparação”, “Orgulho e Preconceito”) e pela performance de Gary Oldman como Winston Churchill. Como atrativo, há a transformação física do ator para encarnar o primeiro-ministro britânico em seus primeiros dias de Governo, algo sempre muito apreciado pela Academia. Repetiu a excelente recepção em Toronto.

 

TORONTO: Considerado hoje o festival com o line up mais alinhado às premiações, pelo fato de que, nos últimos dez anos, oito longas lançados lá foram indicados ao Oscar de Melhor Filme. Seu status cresceu de tal modo que produções que já saíram dos cinemas, como “Dunkirk”, receberam sessões especiais, no claro intuito de serem “lembrados” e, assim, gerarem um novo burburinho.

 

“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

 

 

A obra independente de Martin McDonagh chamou a atenção da atriz Frances McDormand, que lutou para leva-la às telas. O resultado surpreendeu as expectativas, já que ultrapassou favoritos como “A Forma da Água” e ganhou o prêmio do júri popular do festival. Como resultado, já se cogitam prêmios para McDormand, Sam Rockwell no papel coadjuvante, além de roteiro e Melhor Filme. O filme conta a história de uma mulher numa cidadezinha do interior que busca por vingança após sua filha ser morta.

 

 

Outras considerações: Alguns longas exibidos ao longo do ano criaram entusiasmo por um aspecto específico, ao invés da apreciação do seu todo. Citaremos alguns exemplos:

-A atuação de Annette Bening em “Film Stars Don’t Die in Liverpool”, no qual interpreta atriz Gloria Grahame. Será lançado em dezembro, próximo das votações, o que é visto como um facilitador. No entanto, todo ano a atriz entra nas listas de possíveis indicadas, mas geralmente fica de fora.

-Christian Bale em “The Hostile”. O filme foi bem recebido em Toronto, mas não possui distribuição. Como o nome de Bale é forte, a questão aqui é mais se a produção conseguirá ser lançada a tempo de ser considerada para as premiações

-Aaron Sorkin por “Molly’s Game”. As críticas do seu debut diretorial foram mornas, mas os roteiros característicos de Sorkin são apreciados pela indústria (ganhou diversos Globos de Ouro pela série “The West Wing”, além do Oscar de Roteiro por “A Rede Social”). Mesmo concorrendo, dificilmente ganhará algo, já que produções com recepções mais sólidas tendem a ser favorecidas

 

 

O Festival de Nova York apresentará mais dois filmes que tem deixado as pessoas curiosas: “Last Flag Flying”, de Richard Linklater, e “Wonder Wheel”, de Woody Allen. A recepção desses filmes dirá se eles entrarão na corrida, que se acirrará ainda mais com os lançamentos de dezembro – alguns filmes são mantidos em segredo para surpreenderem oportunamente o público na época das votações, como é o caso do projeto de Paul Thomas Anderson.

 

 

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