Por Luciana Ramos

 

No dia de seu aniversário de 40 anos, Alice (Reese Witherspoon) se encontra distante de onde imaginava: recém-separada, de volta à cidade onde cresceu, com suas filhas lutando para adaptarem-se à nova escola. Ela resolve pôr os seus sentimentos de lado e comemorar a data, o que a leva a conhecer um trio de rapazes, que acaba dormindo no seu sofá.

 

De manhã, levemente arrependida da proporção da sua festa, ela se depara com um pedido inusitado de sua mãe, Lillian (Candice Bergen): que abrigue Teddy (Natt Wolff), Harry (Pico Alexander) e George (Jon Rudnitsky), um trio de aspirantes a cineastas, em sua casa de hóspedes. A sua conexão com o cinema, na figura do seu finado pai diretor, a leva a aceitar a proposta, configurando uma nova dinâmica para ela e suas filhas. Obviamente, seu ex-marido Austen (Michael Sheen) não gosta da notícia e decide aparecer de surpresa para garantir o seu território. Alice deve mediar o relacionamento entre todos enquanto se abre novamente para o amor e ainda tenta construir uma nova carreira.

 

 

 

“De Volta Para Casa” é o resultado do primeiro projeto de Hallie Meyers-Shyer na direção. Filha de Nancy Meyers (“Simplesmente Complicado”, “Alguém Tem Que Ceder”), ela claramente tenta emular o ar leve de comédia romântica sobre pessoas comuns que a sua mãe domina, mas falha miseravelmente na construção de um arco narrativo satisfatório, além de pecar em aspectos técnicos.

 

O fator primordial que impede o filme de funcionar plenamente é a má construção de conflitos e motivações. As principais decisões, como a de abrigar os rapazes, são facilmente resolvidas, da mesma forma como os embates. Estes revelam-se ainda mais frágeis, soando como meras desculpas para avançar a trama sem de fato se ter o trabalho de elaborar as questões tratadas com profundidade. Os maiores empecilhos dos personagens parecem ser relacionados ao tempo gasto para estar em algum lugar e não a fatores psicológicos.

 

Neste sentido, o próprio título se perde, visto que a conexão da protagonista com o pai, tão elucidada na narração em off que abre o longa, é reduzida à uma projeção de um antigo filme no quintal da sua casa. Do mesmo modo, sua expectativa de construir uma nova carreira é desperdiçada com cenas que não conseguem ser cômicas onde sofre nas mãos de uma socialite.

 

 

 

Salva-se a dinâmica estabelecida entre os quatro homens que agora habitam a sua vida: seu ex-marido e os três rapazes com que divide o teto. Porém, as passagens de convívio forçado, que desembocam em pequenos confrontos, são escassas e reforçam a fragilidade narrativa com que todo o roteiro é construído.

 

Infelizmente, o longa de Meyers-Shyer não se atém à problemas de escrita: a própria fotografia pouco aproveita os elementos visuais, ampliando-se além do necessário, o que serve apenas para revelar certa imaturidade artística. Esta é ainda acentuada pela sucessão de erros de continuidade, além da fraca direção de atores, que apenas exagera a falta de carisma de Nat Wolff, Pico Alexander e Jon Rudnitsky.

 

Em contraponto, os veteranos Michael Sheen e Reese Witherspoon desempenham seus papéis com segurança e timing cômico, mas seus charmes não são capazes de redimir o cansaço provocado pela superficialidade da obra.

 

Ao término da sessão, “De Volta Para Casa” comprova apenas o que o nepotismo tem de pior, ao expor a falta de preparo de Hallie Meyers-Shyer em assumir seu primeiro longa (produzido pela mãe) sem antes o lapidar. Dessa forma, uma boa premissa, embalada em um elenco estelar, vê-se completamente desperdiçada.

 

 

Pôster

 

 

Ficha Técnica

Ano: 2017

Duração: 97 min

Gênero: comédia romântica

Diretor: Hallie Meyers-Shyer

Elenco: Reese Witherspoon, Candice Bergen, Michael Sheen, Pico Alexander, Natt Wolff

 

 

Trailer:

 

 

 

 

Imagens:

Avaliação do Filme

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