Por Luciana Ramos
Após dirigir “Sete dias com Marilyn”, Simon Curtis arrisca-se a remontar outro episódio peculiar da história. Desta vez, trata-se do caso de restituição do quadro “A Dama Dourada”, um dos mais famosos de Gustav Klimt.
Nos anos 40, em plena Segunda Guerra, a casa dos Bloch-Bauer, influente família austríaca de origem judaica, foi tomada por nazistas, que os fez reféns. A casa, reduto de obras de arte dos artistas mais renomados da época, teve suas paredes saqueadas e os objetos de valor foram parar nas mãos de pessoas poderosas do regime.
Cinquenta anos mais tarde, Maria Altmann (Helen Mirren), sobrevivente da família Bloch-Bauer e moradora dos EUA, entra com um processo contra o Governo da Áustria para reaver os quadros roubados, em especial o retrato em ouro da sua tia adorada Adèle (Antje Traue). Para isso, conta com o inexperiente Randy Schoeberg (Ryan Reynolds), neto do famoso compositor do país europeu.
O embate mostra-se inesgotável, já que ambas as partes não querem abrir mão de algo tão valioso, na casa dos 100 milhões de dólares: para Maria, a obra de arte transpõe o seu valor monetário por ser o elo com suas raízes e seu passado; por outro lado, o quadro tornou-se símbolo da identidade nacional austríaca, que a usou no intuito de distanciar sua imagem dos horrores cometidos na Guerra.
Apesar de oferecer uma interessante análise sobre a usurpação feita pelos nazistas do patrimônio das famílias judias, o longa não consegue adentrar o suficiente no retrato do sofrimento infligido às pessoas dessa religião. As passagens em flashback, além de esparsas, oferecem um panorama fragmentado dos eventos e, por isso, superficial.
Em contraponto, a batalha judicial e seus desdobramentos ocupam a maior parte da trama. São muitas as idas e vindas, as pequenas reviravoltas, as mudanças de motivações das personagens. Este excessivo detalhamento não contribui em nada ao potencial dramático do longa, relegando-o à níveis medianos de entretenimento.
Assim, ainda que valha a pena assistir pela relevância histórica do fato, A Dama Dourada não consegue emocionar a ponto de tornar-se essencial na gama de filmes que retratam os crimes cometidos contra os judeus durante a Segunda Guerra.
Ficha técnica
Ano: 2015
Duração: 109 min
Nacionalidade: EUA
Gênero: drama
Elenco: Helen Mirren, Ryan Reynolds, Daniel Brühl
Diretor: Simon Curtis
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