Dos dias 07 a 21 de junho, 55 cidades do Brasil terão a oportunidade de assistir o melhor do cinema francês atual. São 19 produções dos mais diferentes gêneros, que trazem nomes como Juliette Binoche, Gérard Depardieu, Omar Sy e Catherine Deneuve no elenco, além do último filme de Emmanuelle Riva, “Perdidos em Paris”.

O Festival Varilux de Cinema Francês cresceu exponencialmente da primeira edição para cá, tornando-se o segundo maior festival do gênero no mundo. Além das exibições, debates com atores e equipes, sessões educativas em colégios e um laboratório de roteiro marcam a empreitada. Para promover o evento, uma delegação de 12 atores e diretores se reuniu na sede a Aliança Francesa em São Paulo para debater sobre as experiências pessoais de filmagem, a tradição do cinema francês e a relevância do streaming como forma de divulgação dos filmes.

 

Christian Boudier, organizador do evento, ressaltou a importância do festival em promover um cinema tão vivo e pulsante quanto o feito na França. Em contraponto, lamentou sobre a situação dos cinemas de rua no Brasil, que estão desaparecendo, pondo em risco a distribuição de filmes que saem do eixo dominador de Hollywood.

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Um dos assuntos que dominou a pauta foi o digital, tanto como linguagem quanto como distribuição. Michel Reilhac organizou, a pedido da comissão, uma mostra de realidade virtual, concomitante ao Festival, em que o espectador pode experimentar uma experiência de total imersão em 07 curta-metragens, além de um jogo interativo. Diretor de “Viens!”, que descreve como um “poema tântrico” pelo conteúdo sexual, ele discorreu sobre porque acredita que a realidade virtual seja uma evolução do cinema: “É uma plataforma que não só cria efeitos, como transforma a experiência, e uma linguagem a mais dentre tantas outras, que coloca o espectador no meio da ação”.

Por outro lado, a polêmica dessa edição do Festival de Cannes envolvendo plataformas de streaming foi trazida ao debate. Na coletiva, os artistas mostraram-se bastante abertos a ideia. Noèmie Saglio disse ser a favor do Netflix e outros, pois “é importante abandonar o intelectualismo do cinema e fazer com que as obras atinjam mais pessoas. Complementando a questão, Sadek, rapper que estreou como ator em “Tour de France”, afirmou sofre do mesmo “falso debate” no mundo da música, mas acredita que aqueles contrários as plataformas na verdade “escondem sua própria mediocridade”.

Já Michel descreve a atividade de ir ao cinema hoje como um “prazer vintage”, ao qual justifica: “Na medida em que nossa cultura se torna mais digital, sentimos a necessidade de reequilibrar essa equação com algo mais físico e humano”. Por isso, não acredita na exclusão, mas na multiplicação de realidades e prazeres.

Além de pautas mais amplas, a coletiva obviamente ofereceu espaço para cada componente da bancada discorrer sobre os seus filmes. Dominique Abel e Fiona Gordon falaram sobre “Perdidos em Paris”, longa que marca a parceria artística de longa data dos dois, e o último trabalho de Emmanuelle Riva. Dominique revelou não ter pensado na cultuada atriz para o papel por atrelá-la a personagens mais densos. No entanto, um vídeo dos bastidores de “Amor” o fez mudar de ideia. Nele, Emmanuelle dançava e cantava usando uma capa e imitando Chaplin. Ele diz te descoberto nesse momento o quanto ela era alegre, sorridente e então fez o convite. Por fim, disse que a interpretação dela “elevou o roteiro”.  Quanto ao humor físico tão presente nessa obra, Fiona comentou que eles “observam a vida com óculos de palhaço” e disse preferir os momentos em que os personagens não sabem ao certo o que dizer, pois revelam mais sobre eles.

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Noèmie Saglio, diretora de “Tal mãe, tal filha”, disse ter se inspirado no espírito livre dos pais para compor o roteiro, que trata da inversão de papeis e das relações familiares. Camille Cottin complementou, falando sobre como foi trabalhar com Juliette Binoche: “Ela é surpreendente, bastante aberta à experiências e acredita num trabalho orgânico. Por isso, foi muito bom trabalhar com ela”.

 

Olivier Peyon disse que o maior desafio na produção de “O Filho Uruguaio” não foi filmar em outro país (Uruguai), mas estabelecer uma boa comunicação, visto que a equipe falava três línguas diferentes. Para ele, “cinema é imprevisto” e cabe ao diretor se adaptar a ele.

Por fim, quando questionados sobre como se sentem diante da tradição do cinema francês, os diretores divergiram. Olivier se disse protegido pela tradição, pois seu peso promove incentivos públicos diretos que facilitam a produção de filmes no território francês. Jà Noèmie ofereceu outro ponto de vista, pois observa a tradição através do machismo da indústria, que torna muito difícil a realização de filmes por mulheres. “Somos taxadas de loucas e histéricas”, diz ela, mas acredita que fazer cinema, apesar de tudo, vale a pena.

 

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