Logo após a explosão do escândalo sobre Harvey Weinstein, denúncias sobre condutas inapropriadas de outras figuras da indústria vieram à tona e os envolvidos – desde atores até sites jornalísticos – manifestaram terem ouvido “sussurros” sobre outros homens ao longo de anos… A pergunta feita era somente quando estes também seriam devidamente desmascarados.

 

Eis que no dia 09 de novembro foi a vez do comediante Louis C.K. Respeitado em Hollywood por ter obtido sucesso tanto no stand up como na produção de shows de comédia – incluindo o seu premiado “Louie” – ele foi alvo de especulações por comportamento inapropriado desde 2002 pelo extinto site de fofocas “Gawker”, que descreveu um episódio sem revelar nomes, apenas dando dicas de quem seria o autor do assédio.

 

A fatídica quinta-feira seria a data do lançamento do seu mais novo filme, “I Love You Daddy”, uma ode em narrativa e estilo à “Manhattan”, de Woody Allen. Este foi cancelado horas antes, um indicativo que o comediante já sabia o que viria pela frente. Um artigo do “The New York Times” trouxe entrevistas detalhadas com cinco mulheres que o acusaram do mesmo tipo de conduta inapropriada: pedir para se masturbar na frente delas ou, em alguns casos, forçar esse ato, levando ao desconforto e humilhação dessas mulheres. Em seguida, elas foram devidamente caladas pelo agente do comediante, Dave Becky, que exigia o silêncio das vítimas.

 

 

 

Dois dias depois das acusações serem feitas, o próprio Louis C.K. admitiu serem todas verdadeiras e argumentou em sua defesa que achava nos momentos dos atos que, por ter pedido, considerava algo consensual, ignorando assim a posição de poder que mantinha frente às vítimas.

 

Produtor executivo de diversas séries de comédia (“Better Things”, “One Mississippi”, “Baskets”, “The Cop”), ele era, até então, tido como um dos destaques do humor norte-americana. Sua penetração na área o fazia abrir portas para novos comediantes. Foi esse poder que ele usufruiu indevidamente e, consequentemente, o silencio era exigido em troca da sua não-retaliação.

 

Diante do caso, emissoras de televisão envolvidas com o comediante foram rápidas em distanciarem-se dele: A HBO cortou relações, cancelando sua participação em um show beneficente e avisando que irá retirar do seu serviço de streaming seus especiais; a Netflix anunciou que interrompeu o desenvolvimento de  um futuro projeto com ele e a FX disse que vai retirar seu título de produtor executivo das séries ainda vigentes (comandadas por outros comediantes, como é o caso de “Better Things”, escrita por Pamela Adlon).

 

A Universal Pictures seguiu essa linha e anunciou que C.K. não participara de “Pets: A Vida Secreta dos Bichos 2”, onde seria responsável pela dublagem de Max. A empresa The Orchard, que investiu 5 milhões de dólares na distribuição de “I Love You Daddy” decidiu engavetar o filme de vez: ele não será exibido em solo americano ou internacional, onde já se desenvolvia uma estratégia de lançamento.

 

Por fim, a 3 Arts Entertainment, que agencia os maiores comediantes americanos (e empresa onde Becky trabalha), decidiu se afastar de C.K., anunciando seu desligamento com o ator/roteirista/produtor.

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