Por Murillo Trevisan

Em 2018, quando o cineasta James Gunn (“Guardiões da Galáxia”) iniciou a campanha de marketing de seu novo projeto secreto, divulgando apenas a logo do filme em suas redes sociais, muito se especulou a respeito. Alguns veículos diziam que seria uma adaptação do Mangá “Berserk”, enquanto outros falavam sobre uma nova colaboração entre Sony e Marvel Studios – mas todos queriam saber do que se tratava, por ter um profissional tão competente e influente envolvido.

Ainda no ano passado, no mesmo dia em que Gunn faria a tão aguardada revelação na San Diego Comic Con, uma notícia bombástica veio a tona anunciando a demissão do diretor de “Guardiões da Galáxia Vol. 03” pela Disney Pictures, em relação à alguns Tweets antigos que ele fizera com piadas de mau gosto. Consequentemente, seu painel foi cancelado e toda campanha de marketing caiu por terra, levando a mídia a se importar mais com toda a repercussão de sua demissão, deixando o filme de lado.

Depois de toda a confusão passada – inclusive com a Disney readmitindo o diretor – eis que chega aos cinemas, com pouco alarde, “Brightburn – Filho das Trevas”. Produzido e encabeçado por James Gunn, o longa explora o gênero de terror fugindo um pouco de sua linha artística, ainda que haja uma verossimilhança muito grande entre seus trabalhos. Ao invés de fazer uma adaptação direta dos quadrinhos, aqui ele empresta o conceito e origem do maior Super-Herói de todos os tempos e se pergunta: E se o Superman, ao descobrir seus poderes, os tivesse usado para o mal?

Brandon Breyer (Jackson A. Dunn) em “Brightburn – Filho das Trevas”.

Com roteiro e argumento de Brian Gunn (“Viagem 2: A Ilha Misteriosa”) e Mark Gunn (“As Apimentadas: Mandando Ver”) – irmão e primo de James – o filme narra a história de Brandon Breyer (Jackson A. Dunn), um garoto alienígena que caiu no planeta terra ainda bebê, na cidade rural de Brightburn, Estados Unidos. Assim como Martha e Jonathan fizeram com Clark Kent nas origens do “escoteirão” da DC, aqui Tori (Elizabeth Banks) e Kyle Breyer (David Denman) assumem a responsabilidade da criança e a adotam sem revelar sua verdadeira proveniência.

Insinuando uma alegoria à puberdade, ao completar doze anos o garoto começa a sentir sensações estranhas em seu corpo e ser atraído por um poder incontrolável. Achando um comportamento incomum, seu pai busca aproximação em uma conversa vergonhosa de “homem para homem”, mas Brandon está confuso e segue por descontar suas frustrações de uma maneira mais malígna. Então começa a chacina e sanguinolência.

Em seu segundo longa-metragem, o diretor David Yarovesky (“A Colmeia”) traz, de início, uma semelhança muito evidente ao “Homem de Aço” de Zack Snyder. A paleta de cores, os enquadramentos e até a entonação da trilha sonora são idênticas ao filme de 2013, sem a intenção de querer esconder qual foi sua real inspiração. No decorrer da projeção a tonalidade muda, abrindo mão de uma estética esperançosa para dar espaço ao gore, com um terror mais visceral.

Apesar do contraponto do destino do famoso herói, a sensação de deja vu é bastante perceptível, ansiando a vontade do espectador em pular a enrolação da história direto para as cenas em que o garoto ataca suas vítimas. Isso ocorre frequentemente, mesmo que o filme seja deveras mastigado pela edição, utilizando em demasia os recursos de Fade In/Fade Out ao invés de investir em transições mais elaboradas.

Se tem um ponto que está muito claro nisso tudo, é que “Brightburn – Filho das Trevas” é apenas o início de um ambicioso projeto da família Gunn. Assim como M. Night Shyamalan (“Vidro”) criou seu próprio mundinho de Super-Heróis com a trilogia do “Corpo Fechado”, aqui James Gunn parece pretender o mesmo, apresentando primeiramente seus super-vilões para assim introduzir alguma força do bem para enfim combatê-los.

Ficha Técnica

Ano: 2019

Duração: 91 min

Gênero: Terror

Diretor: David Yarovesky

Elenco: Elizabeth Banks, Jackson A. Dunn, Jennifer Holland, David Denman, Matt Jones

Avaliação do Filme

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