Por Murillo Trevisan

Filmes com a temática de “exército de um homem só” fizeram muito sucesso nos anos 80. Arnold Schwarzenegger enfrentava sozinho os sequestradores de sua filha em “Comando para matar”, Sylvester Stallone tomava banho de sangue vietnamita em “Rambo”, enquanto Chuck Noris se tornava a maior inspiração para os memes da internet. Mas cada geração tem os “brucutus” que merecem e o da vez é Gerard Butler (“300”) que ,depois de adentrar à Casa Branca em sua infreável missão de resgate ao presidente dos EUA no exageradamente patriótico “Invasão a Casa Branca”, chega a Londres para distribuir mais balas.

Em “Invasão a Londres”, após a misteriosa morte do Primeiro-Ministro Britânico, os líderes das maiores potências mundiais são convocados para seu funeral na capital. Dentre eles, obviamente está o presidente dos Estados Unidos da América, Benjamin Asher (Aaron Eckhart), com seu inseparável chefe de segurança e Agente dos Serviços Secretos, Mike Banning (Gerard Butler).

A reunião de tantos líderes importantes em um só lugar é uma tremenda oportunidade para os terroristas pegarem uma ninhada de coelhos numa cajadada só. Sob o comando de Aamir Barkawi (Alon Aboutboul), iniciam a invasão e é aí que Londres começa a cair (alusão ao título original “London has fallen”). Desde ataques terrestres até mísseis teleguiados derrubando helicópteros, a cidade é devastada e, através de medíocres efeitos visuais, vemos seus maiores pontos turísticos sendo destruídos.

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Mike e o presidente começam uma fuga para tentar salvar suas vidas. A partir desse ponto vem a grande evolução da trama e podemos notar a diferença na mudança do diretor. Antoine Fuqua, de excelentes filmes como “O Protetor” e “Nocaute”, mas irreconhecível em “Invasão a Casa Branca”, passou o bastão para o iraniano Babak Najafi (“Sebbe”), que soube dar a dose exata de thriller ao longa, ignorando de vez as besteiras cometidas no antecessor.

As cenas de ação também estão melhor coreografadas e expostas de maneira correta em tela. Não há mais os closes com frames acelerados que deixavam o espectador perdido, pois as escolhas dos ângulos agora dão a ampla visão de tudo que acontece. Em determinado ponto, o diretor arrisca um plano-sequência em que, por mais que contenha cortes camuflados (assim como foi feito em “Birdman”), é bem executado e eleva o nível da produção.

Outra evolução em comparação ao filme anterior é a de Gerard Butler e do próprio personagem Mike Banning. Mais brutal, o ator vem para convencer de que pode sim ser um herói de ação. A persona do agente está mais cômica, arriscando piadas ao falar que o presidente está “saindo do armário” ou o “quanto sua sogra é doida”, sempre no timing certo.

O roteiro, escrito a quatro mãos, não traz grandes novidades. A base da história é a mesma de seu antecessor: terroristas invadem um local onde encontram-se grandes líderes e os fazem reféns, enquanto Mike deve resgatar e proteger seu amigo e presidente dos EUA, Benjamin Asher. O que traz evolução à trama é o modo como foi escrito, mesclando na medida certa o suspense, antes inexistente, com o pitadas de humor.

“Invasão a Londres” não deve ficar na memória por muito tempo, inclusive por seus efeitos visuais que, mesmo em seu lançamento, já são bem datados. Porém, arrisca trazer novos elementos que não parecem existir só por gordura, pois trazem sentido à trama. Para um fã do gênero ação, que já passou pelo sacrifício de assistir seu antecessor, será um prato cheio.

 


Ficha técnica


Ano:
 2016

Duração: 99 min

Nacionalidade: EUA

Gênero: Ação, Crime, Thriller

Elenco: Gerard Butler, Aaron Eckhart, Morgan Freeman, Alon Aboutboul

Diretor: Babak Najafi

 


 

Trailer:

 

 


 

Imagens:

 


 

Avaliação do Filme

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