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Por Murillo Trevisan

 

Intensamente presente na franquia “Kung Fu Panda”, a filosofia oriental valoriza os preceitos da bondade, cortesia, moral, integridade, fidelidade e honra, sempre permanecendo com sua própria personalidade. Atualmente, poucos são os filmes que ainda conseguem manter a essência em suas incontáveis sequências. Em “Kung Fu Panda 3”, assim como no provérbio chinês, a evolução é alcançada “sendo ainda o mesmo”.

Po (Jack Black) agora vive em paz no vilarejo, aproveitando sua fama como “Dragão Guerreiro” e seguindo seus treinamentos longe de confusão. Seu Mestre Shifu (Dustin Hoffman) precisa aprender a dominar o “chi” e o estabelece como mestre substituto, que deverá passar conhecimento aos outros guerreiros.

Sua confiança é abalada quando, ao treinar “Os Cinco Furiosos” – composto pelos mestres Macaco (Jackie Chan), Louva-A-Deus (Seth Rogen), Víbora (Lucy Liu), Garça (David Cross) e Tigresa (Angelina Jolie) – descobre que é um desastre total e vira motivo de piada. Em uma passagem repleta de metáforas, nosso herói percebe que nunca aprenderá nada novo se sempre fizer o que já sabe.

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Nessa jornada de aprendizado, nós, os espectadores, somos os olhos de Po na sua profunda busca por respostas em saber quem realmente é. Sua curiosidade e o modo de reação a aqueles elementos místicos nos ganha com simpatia. Impossível não se envolver quando ele encontra seu pai biológico, Li Shan (Bryan Cranston) e descobre que há um paraíso secreto dos pandas. Tudo estaria perfeito se não fosse por ter se tornado alvo de um ataque e estivesse sendo procurado por um inimigo.

Kai (J. K. Simmons) é um colecionador de “chi” que está acabando com todos os mestres chineses, transformando suas almas em artefatos para sua coleção. Através de uma bela montagem, envolvendo desenhos em 2D numa típica pintura oriental, descobrimos que ele é um antigo aluno do Mestre Oogway (Randall Duk Kim), que não pôde compreender de que “ser” é maior do que “ter”. Ele claramente representa nossa sociedade capitalista e seus hábitos de consumo, onde almejar posses é maior que a sede de conhecimento. “O Coletor” agora está em busca de sua última peça para a ter posse, o “chi” do Grande Dragão Guerreiro.

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Po está abrigado no paraíso secreto dos pandas, junto ao pai e a sua família, onde tenta aprender a controlar seu “chi”. O treinamento é basicamente comer, rolar pela grama e dormir até depois do meio-dia, como fazem os membros de sua espécie.  Após a frustração de, mesmo seguindo à risca suas “tarefas”, não ter aprendido o domínio da arte, desesperadamente, à espera do ataque de Kai, ele se dá conta de que precisa treinar os outros pandas para proteger a comunidade. Mas como transformar animais que tem uma rotina sedentária em mestres do Kung Fu?

No filme todo nos deparamos com frases filosóficas e os conceitos citados no início do texto são utilizados como o caminho para a solução, desse e de outros problemas. “Kung Fu Panda 3” é um oceano de metáforas e frases de autoajuda (no sentido apreciativo), onde além de divertir cumpre o papel de educar como ser. Uma franquia que continua respeitando e merece ser apreciada.

 


Ficha técnica


Ano:
 2016

Duração: 95 min

Nacionalidade: EUA

Gênero: Animação, Ação, Aventura

Elenco: Jack Black, Bryan Cranston, Angelina Jolie, Dustin Hoffman, Lucy Liu, Jackie Chan, J. K. Simmons

Diretor: Jennifer Yuh Nelson e Alessandro Carloni

 


 

Trailer:

 

 


 

Imagens:

 


 

Avaliação do Filme

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