Por Murillo Trevisan

 

Na última década, a China vem se tornando um mercado cinematográfico cada vez mais significativo. O público do país tornou-se tão importante que muitas produções americanas estão filmando parte de suas histórias lá, ou com atores chineses, para seduzirem os seus espectadores. Às vezes, isso colabora para que o filme se torne um sucesso global. Já em outros casos, o país, com seu expressivo potencial de bilheteria,  foi responsável por salvar fracassos americanos que dariam prejuízo sem os bons números no Oriente, como “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos” e “A Grande Muralha”.

Com isso, pode-se dizer que “Megatubarão” é uma produção completamente pensada para o mercado oriental. A trama se passa na ilha de Hainan, com boa parte do elenco chinês e trata de um assunto que o público de lá adora: “monstros gigantes”, no caso um Mega Tubarão. Essas características não seriam grande problema se seu protagonista – e “herói salvador da pátria” – não fosse novamente o “homem branco”, erro já cometido e muito criticado em “A Grande Muralha”, com Matt Damon.

 

 

O filme começa com o ataque de uma criatura gigantesca no fundo do Oceano Pacífico contra a estação de um programa internacional de observação submarina, que deixam três pesquisadores presos em águas profundas. O ex-socorrista Jonas Taylor (Jason Statham), aposentado, é convocado por um oceanógrafo, Dr. Zhang (Winston Chao), para resgatar os cientistas, mesmo sendo taxado como louco após um ato traumático de seu passado. A intervenção do homem na natureza acaba por abrir caminho para o Megalodonte, um tubarão branco-gigante que vivia no abismo do oceano e emerge para causar o terror.

O roteiro escrito a três mãos por Dean Georgaris (“O Pagamento”), Jon Hoeber (“Battleship – A Batalha dos Mares”) e Erich Hoeber (“Red – Aposentados e Perigosos”) vai direto ao ponto sem perder muito tempo; porém, não aproveita os recursos disponíveis para criar cenas memoráveis, como uma produção desse gênero exige. Os diálogos são bobos e frívolos, se esquecendo de dar profundidade aos personagens que vão carregar aquela trama do início ao fim.

Assim, estes são relegados a esteriótipos, insistindo na superficialidade que as produções B costumam usar. Temos o herói (Statham), a mocinha íntegra (Li Bingbing), o milionário ganancioso (Rainn Wilson), o alívio cômico (Page Kennedy) e a hacker estilosa (Ruby Rose). O destaque fica para a pequena Meiying (Shuya Sophia Cai), que esbanja fofura em seus diálogos doces e engraçados.

 

 

Com boa parte do financiamento vindo de produtoras chinesas, o alto orçamento pode ser notado em tela. Não há o que botar defeito nos efeitos visuais da criatura, que foi desenvolvida com base em uma grande pesquisa sobre a aparência original do animal da era cenozóica. Os seres abissais e a exploração submarina são de deixar qualquer oceanógrafo de queixo caído, resultando num deslumbre visual.

Embora as características de um tubarão-branco (independente de seu tamanho) já sejam o suficiente para colocar medo em qualquer pessoa, esse sentimento não é transmitido com eficiência pelo diretor Jon Turteltaub (“A Lenda do Tesouro Perdido”). Ele até que tenta simular o efeito do “perigo oculto”, feito magistralmente por Steven Spielberg (com a indispensável trilha de John Williams) lá em 1975, com o excelente “Tubarão”, mas falha ao pré-anunciar os ataques com frases de efeito nos diálogos.

Com orçamento de blockbuster, “Megatubarão” tenta se passar por “filme B” para parecer mais descolado, mas acaba pendendo mais para uma produção genérica sem capricho. Um filme divertido mas bobo, criado através de algoritmos para arrecadar em um mercado específico.

 

Pôster

 

 

Ficha Técnica

 

Ano: 2018

Duração: 113 min

Gênero: ação, horror, ficção científica

Direção: Jon Turteltaub

Elenco: Jason Statham, Li Bingbing, Rainn Wilson, Cliff Curtis, Winston Chao, Ruby Rose

 

Trailer:

 

 

Imagens:

 

 

 

Avaliação do Filme

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