Por Murillo Trevisan

 

O novo projeto “secreto” de J.J. Abrams (“Star Wars: O Despertar da Força”), finalmente chega aos cinemas após uma confusa produção e divulgação. O longa do qual inicialmente seria mais um derivado da franquia “Cloverfield”, abriu mão do vínculo e, ao melhor exemplo de “Um Lugar Silencioso” seguiu seus próprios passos.

Inspirado na Batalha da Normandia, também conhecida pelo codinome “Operação Overlord” que o intitula, a trama acompanha os soldados paraquedistas aliados às vésperas do Dia D na Segunda Guerra Mundial, tentando pousar na França tomada pelo exército inimigo. Porém, ao enfrentá-los eles descobrem que também terão que lutar contra seres sobrenaturais criados pelos laboratórios de Hitler.

 

 

Dirigido por Julius Avery (“Sangue Jovem”), o longa mistura a ação e o terror da guerra, ao abordar os horrores reais cometidos pelo nazismo, com uma vertente para a ficção científica, propondo assim a hipótese de como seria se o Führer tivesse poder suficiente para criar um exército de imortais, perpetuando a sobrevivência do Reich por milênios. O prólogo da jornada, já é suficientemente aterrorizante, quando somos colocados dentro de um avião sendo alvejado enquanto a equipe nos é apresentada. O novato soldado Boyce (Jovan Adepo) serve-nos de suporte para uma imersão mais profunda, que por se tratar de sua primeira missão fica tão perdido quanto estaríamos no caos de uma guerra.

A relação dele com a equipe e seu desenvolvimento pessoal segue em uma crescente, fazendo juz a cara de bom moço e ao carisma de Jovan Adepo (“The Leftovers”). Inicialmente retratado com abundante inocência e personificação quase heróica em tamanha bondade, é alvo de gracinhas e desacordos de seu pequeno grupo de sobrevivência, composto por Ford (Wyatt Russell), Tibbet (John Magaro), Chase (Iain De Caestecker) e Rosenfeld (Dominic Applewhite). A evolução de Boyce se dá a partir do inconformismo da maldade aplicada pelos nazistas, que mesmo o espectador já estando familiarizado à todo acontecimento histórico, são justificadas pelo comportamento do general Wafner (Pilou Asbæk) com a francesa Chloe, interpretada pela modelo e atriz estreante em Hollywood Mathilde Ollivier (“The Misfortunes of François Jane”).

 

 

A projeção, que inicialmente carrega uma aura temerosa ao retratar um momento factual com uma relevante carga emotiva, perde-se a partir do segundo ato, na circunstância em que é introduzido o lado fantasioso à obra. O terror, que até o momento se fazia com eficiência em abordar o psicológico, é tomado pelo gore, desvitalizando todo seu potencial. A relação da monstruosidade do ato fascista, por mais que abram portas para metáforas, parecem minimizadas quando o inimigo é transformado em criaturas que agem por instinto e não racionalmente.

O revisionismo da guerra, ao menos, alcança uma condição lúdica à experiência cinematográfica, divertindo e entretendo. Com uma fotografia que faz jus aos aclamados longas que já representaram o período, “Operação Overlord” se faz capaz de nos imergir mesmo que só pelo visual.

 

Pôster

 

 

Ficha Técnica

 

Ano: 2018

Duração: 109 min

Gênero: ação, horror, mistério

Direção: Julius Avery

Elenco: Jovan Adepo, Wyatt Russell, Mathilde Ollivier, Pilou Asbæk, John Magaro

 

Trailer:

 

 

Imagens:

 

Avaliação do Filme

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