Por Murillo Trevisan

Quando um massivo furacão atinge uma cidade costeira da Flórida, Haley (Kaya Scodelario) ignora as ordens de evacuação para procurar por Dave, seu pai desaparecido (Barry Pepper). Ela o encontra gravemente ferido no porão da casa da família, bem no instante em que as águas de uma violenta inundação atingem o local. Com o tempo se esgotando para que ambos consigam escapar da tempestade cada vez mais forte, Haley e seu pai descobrem que o aumento do nível da água é a menor de suas preocupações, uma vez que um grupo de crocodilos os encurrala na propriedade quase toda submersa.

O enredo é bem pouco aprofundado, envolto propositalmente mais na atmosfera catastrófica do que na relação pai e filha, embora ainda tente rabiscar um dramalhão sobre o vínculo afetivo dos dois, o que claramente não funciona. O texto dos irmãos Michael e Shawn Rasmussen (“Aterrorizada”) faz questão de nos lembrar a todo momento, por meio de flashbacks ou frases em off, a aptidão para natação que a protagonista tem, tornando o filme forçadamente previsível.

Há ainda o uso exagerado de repetições criando situações que mantenham Haley e Dave dentro de casa, sempre os fazendo retornar ao ponto inicial, mesmo depois de tanto esforço. Nas primeiras vezes que isso acontece é até aceitável, mesmo indicando um recurso preguiçoso de roteiro, porém o uso repetitivo desagrada e retira a tensão das cenas.

Produzido por Sam Raimi – célebre nome do horror, com títulos como “Evil Dead: A Morte do Demônio” e “Arraste-me Para o Inferno” no currículo – “Predadores Assassinos” tenta emular sua substância fundamental de não se levar muito à sério, porém falha gravemente em não deixar isso claro ao espectador, afetando de uma maneira danosa a percepção da obra.

Os recursos visuais também deixam muito a desejar. Nem com a iluminação escura – justificada pela tempestade e pelo ambiente – os efeitos conseguem se tornar críveis, gritando em tela o uso de chroma key e de gravação em estúdio. Quando se trata de ambiente interno, os pontos de luz não fazem o menor sentido. Sem falar da trilha, que simula sons de natureza dentro do porão da casa, como se estivesse em um pântano.

Com enredo fraco, produção desleixada e pouco esforço por parte do elenco, “Predadores Assassinos”, o novo filme de Alexandre Aja (“Piranha 3D”), cai num erro muito recorrente em produções de baixo custo, que diligenciam a megalomania sem o cacife necessário, optando pelo uso preguiçoso do CGI.

Ficha Técnica

Ano: 2019

Duração: 87 min

Gênero: Ação, Drama, Horror

Diretor: Alexandre Aja

Elenco: Kaya Scodelario, Barry Pepper, Morfydd Clark, Ross Anderson

Avaliação do Filme

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