Por Murillo Trevisan

Já se foram 43 anos desde que “Rocky – Um Lutador” foi lançado, vindo a imortalizar a figura do emblemático pugilista Rocky Balboa, vivido por Sylvester Stallone. As narrativas dentro desse universo – que ao todo já somam oito filmes – nos colocou frente a frente com dezenas de batalhas, sendo dentro ou, principalmente, fora dos ringues. Apresentar um novo oponente mais desafiador era uma tarefa cada vez mais complicada que, com exceção à um ou dois longas, a franquia conseguia dar conta do recado.

Treze anos depois do excelente “Rocky Balboa” (2006) – último protagonizado pelo “garanhão italiano” – a saga se reinventou e passou o protagonismo ao jovem Adonis Creed (Michael B. Jordan), filho do melhor amigo e ex-rival de Balboa, Apollo Creed (Carl Weathers). Embora recebido com desconfiança, os novos rumos adotados em “Creed: Nascido para Lutar” (2015) surpreenderam e funcionaram muito bem, restaurando os significados da própria mitologia do famoso boxeador, agora treinador.

“Creed II” dá sequência direta aos eventos ocorridos em seu predecessor. Adonis – agora campeão mundial – defende o cinturão e mantém o treinamento e amizade com seu “tio” Rocky, em busca de reconhecimento como um dos melhores boxeadores de sua época. O desafiador da vez é nada mais nada menos do que Viktor Drago (Florian Munteanu), filho do eterno rival de Rocky, Ivan Drago (Dolph Lundgren). O confronto Creed x Drago traz uma carga nostálgica ao filme, uma vez que Ivan foi o responsável pela morte de Apollo em “Rocky IV” (1985). Esse trauma ainda marca as memórias de Balboa, figurando o sumo de sua extensa lista de perdas, o faz se afastar – profissional e pessoalmente – da vida de seu pupilo, uma vez que ele aceita o desafio e coloca como principal objetivo derrotar o oponente com sangue Drago.

Seguindo uma receita de narrativa mais moderna, o “vilão” em questão é mais humanizado, sem aquele estigma de “máquina de matar” que Ivan recebeu no longa de 1985. Mesmo sem uma atuação deslumbrante, o boxeador romeno Florian Munteanu consegue demonstrar através de olhares cabisbaixos a submissão e fardo que carrega pelos contratempos de seu pai no passado. Até o próprio Dolph Lundgren encara agora uma dualidade de seu personagem, que busca através do filho uma oportunidade de reconhecimento para poder voltar para a Rússia, país do qual foi exilado após a derrota para Rocky.

Em paralelo, pequenos conflitos são colocados ao redor do núcleo principal, trazendo a tona o melhor que essa franquia tem a nos oferecer. A relação de Adonis e Bianca (Tessa Thompson) evolui para um casamento e posteriormente o nascimento de sua filha, que nasce com a mesma incapacidade auditiva da mãe. A cantora também sofre com a progressão de sua deficiência, circunstância que é colocada de forma sutil através de uma divertida cena de alívio cômico.

Ao mesmo tempo que Donnie enfrenta um enorme combate como pai de primeira viagem, Balboa luta contra o orgulho para tentar uma reaproximação com o filho Robert (Milo Ventimiglia). Subvertendo as particularidades da franquia – onde Stallone ensina à todos com discursos edificantes – dessa vez ele se coloca como aprendiz e dá um passo à frente na evolução do personagem.

O maior mérito do primeiro “Creed” foi a caprichada direção de Ryan Coogler (“Fruitvale Station: A Última Parada “) que, devido a seu envolvimento com “Pantera Negra” e a Marvel Studios, teve que se afastar da sequência. Agora quem assume o comando é Steven Caple Jr. (“The Land “), que segue a cartilha do estúdio e não consegue imprimir sua identidade na obra. Os planos-sequência e músicas marcantes foram substituídos por segmentos picotados e trilha sonora não tão presentes – com exceção ao ato final, onde a música tema é inserida demarcando característico ponto de virada.

Outra fraqueza presente no longa é a falha tentativa em homenagear a franquia, fazendo escolhas erradas nas referências. Soa um pouco ridícula a apresentação de Bianca cantando na abertura da luta entre Creed x Drago, fazendo alusão a extrema cafonice apresentada no confronto de seus pais – com direito a James Brown – lá em “Rocky IV”. Ainda citando o mesmo filme, o retorno de Ludmilla Drago (Brigitte Nielsen) não acrescenta em nada na trama, servindo mais como um easter egg que ocupa um precioso tempo de projeção.

Mesmo com algumas falhas, “Creed II” ainda se sustenta como um ótimo filme, nos levando a revisitar esses queridos personagens que a cada vez que encontramos nos brindam com uma nova lição aplicável à vida. Afinal, é disso que Rocky se trata!

Ficha Técnica

Ano: 2018

Duração: 130 min

Gênero: Drama, Esporte

Diretor: Steven Caple Jr.

Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad, Dolph Lundgren, Florian Munteanu

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