Desde março, um movimento desgastante dividiu a indústria do entretenimento: o da persistência do seu modelo de negócios, que inclui eventos como festivais, e o cancelamento das atividades em prol da imposição global de um vírus que não pede licença. Mesmo com resistência, festivais tradicionalíssimos como o de Cannes se viram obrigados a suspenderem suas atividades ou, como Tribecca, formularem soluções virtuais que pudessem oferecer filmes no conforto da casa de cada cinéfilo.

Os organizadores do Festival de Veneza, no entanto, bateram o pé e se negaram a estas possibilidades, oferecendo, em troca, a segurança de que, até setembro, a cidade estaria com índices controlados e adequada ao recebimento dos entusiastas da sétima arte.

Eis que ontem, dia 02 de setembro, estrelas hollywoodianas da grandeza de Cate Blanchett (presidente do Júri) reuniram-se em Veneza para realizar um ritual que, embora antigo, parecia impossível até muito pouco tempo: desfilar por um tapete vermelho a caminho de uma exibição cinematográfica…com um adicional importante: a obrigatoriedade de máscaras. As horas de público que se amontoavam para ver os artistas, por exemplo, foram proibidas. Fotógrafos são escassos, assim como as estrelas que marcam presença.

O evento se estenderá até o dia 12 de setembro e será restrito a ingressos comprados online – respeitando espaços entre as cadeiras. Para transitar no local, além de autorização especial, é preciso cumprir a norma de usar máscaras, álcool gel e tirar a temperatura antes de cada sessão.

Máscaras tomam conta de Veneza

O volume de títulos também naturalmente foi afetado – serão apenas sessenta produções. Entre os filmes, estão “A Voz Humana”, média-metragem de Pedro Almodóvar filmado durante a quarentena, “Greta”, biografia da ativista Greta Thunberg, “The World to Come”, drama de época com Casey Affleck e Vanessa Kirby, além de “Narciso em Férias, documentário que relata o período em que Caetano Veloso foi preso pela Ditadura Militar.

Sobre a decisão de manter o evento, o organizador Roberto Cicutto declarou: “Não estamos orgulhosos por sermos o primeiro evento após forçada pausa (por conta da pandemia), mas estamos orgulhosos de termos conseguido vir até aqui…provar que pode ser feito se cumpridas as normas sanitárias e, ainda por cima, apresentando um programa que deixa pouco a desejar se comparado a anos anteriores”.

Na cerimônia de abertura, realizada ontem, Tilda Swinton foi homenageada pela carreira e lembrou no seu discurso do poder do cinema: “Vir à Veneza para celebrar a imortalidade do cinema, sua desafiante sobrevivência diante de todas as dificuldades que parecem ser impostas à ela pela evolução é motivo da minha mais sincera alegria”. 

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