Todo ano, as indicações ao Oscar geram grande expectativa. Este sentimento, por sua vez, pode se transformar em choque para os seus entusiastas, a depender do molde da lista final. Este ano não foi diferente. Separamos abaixo uma lista de pessoas e filmes indicados que ninguém previa e outros, tipo como fortes nomes, que foram desconsiderados de algumas categorias da competição.

Bradley Cooper não concorre como Melhor Diretor

Com “Nasce Uma Estrela”, Bradley Cooper fez uma grande estreia no cargo de diretor, recebendo elogios por onde passava. Desde a exibição inicial, no circuito de festivais, ele vinha sido cotado como um dos favoritos para levar a estatueta de Melhor Diretor. Porém, ele acabou ficando de fora da categoria, tendo sua vaga preenchida por Pawel Palikowski, indicado por “Guerra Fria”. Porém, ele concorre como Melhor Ator por “Nasce Uma Estrela”.

Indicações de Guerra Fria

Apesar de bastante elogiado no Festival de Cannes e, posteriormente, pela crítica americana, o filme polonês de Palikowski, baseado na história de sua família, havia perdido momentum, tendo sido ignorado em indicações de prêmios anteriores, como o Globo de Ouro.

Por isso, achava-se que seria difícil a sua consideração para o Oscar. No entanto, “Guerra Fria” não só foi indicado como Melhor Filme Estrangeiro, como também concorre nas categorias Melhor Diretor, como já citado, e Melhor Fotografia.

A Balada de Buster Scruggs consegue três indicações

O novo filme dos irmãos Coen, distribuído pela Netflix, não causou muito furor com o seu lançamento e seu nome não estava sendo considerado para nenhuma grande premiação. “A Balada de Buster Scruggs” surpreendeu a todos a conseguir três indicações, nas categorias Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Figurino e Melhor Canção.

O Primeiro Homem decepciona

O novo filme de Damien Chazelle (ganhador como Melhor Diretor por “La La Land: Cantando Estações”) era esperado com entusiasmo, mas “O Primeiro Homem” conquistou apenas críticas mistas, que não impulsionaram o filme. Ele foi perdendo espaço no burburinho das competições por outros, mas ainda se torcia pela consideração de Claire Foy como Melhor Atriz Coadjuvante. Sua vaga ficou com Marina de Tavira e o filme sobre Neil Armstrong apenas foi considerado em categorias técnicas.

Bohemian Rhapsody consegue cinco indicações

A cinebiografia de Fred Mercury demorou anos para conseguir ser feita, a muitos custos. Ao ser lançada, decepcionou por mudar fatos verídicos para encaixá-los melhor na narrativa, o que lhe concedeu muitas críticas da indústria. Não obstante, ficou marcada pelas acusações de assédio sexual envolvendo seu diretor, Bryan Singer, demitido no meio da produção.

Isso tudo, porém, não foi capaz de tirar o clamor do filme, que acabou ganhando o Globo de Ouro como Melhor Filme de Drama, além de ter sido indicado em cinco categorias no Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator (Rami Malek).

As mulheres de Roma

Muito se aguardou o novo filme de Alfonso Cuarón, um mergulho mais autoral, desenvolvido a partir de suas memórias de infância. “Roma” foi aclamado desde a exibição em alguns festivais e seu favoritismo foi somente confirmado quando lançado na Netflix.

Mesmo sendo muito elogiadas, as atrizes do filme não constavam na lista de especialistas como potenciais indicadas dado o histórico da Academia, que tem dificuldade em considerar atrizes em filmes falados em outras línguas que não o inglês. Mesmo assim, Yalitza Aparicio e Marina de Tavira foram indicadas neste ano, respectivamente como Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante.

O bom desempenho da Netflix

Com “Roma”, já se esperava que a Netflix finalmente conseguisse um bom número de indicações, depois de tantos anos sendo menosprezada pela Academia (vide a esnobada de “Beasts of no Nation”). O filme de Cuarón faz exatamente parte da nova empreitada da empresa em conseguir prêmios importantes como modo de mostrar a Hollywood que veio para ficar, um sinal de aceitação no negócio do entretenimento. “Roma” já é a campanha mais cara da última década, mas o esforço funcionou: junto com “A Favorita”, o filme lidera indicações, dez ao total.

A surpresa se deve exatamente ao desempenho superior ao esperado, reforçado ainda pela consideração de “A Balada de Buster Scruggs” em três categorias.

Documentários

O ano de 2018 foi excelente para os documentários norte-americanos, que ultrapassaram todas as expectativas em termos de bilheterias. Dentre os destaques, estava o filme sobre o Mr. Rogers, importante formador de opinião infantil, “Won’t You be My Neighbor”. Até então, seu filme era bastante considerado para o Oscar. No entanto, não conseguiu uma vaga.

Outro longa documental de bastante impacto que sofreu do mesmo foi “Três Estranhos Idênticos”, que ficou de fora da competição. Produções muito elogiadas, como “Free Solo”, “RBG” (sobre Ruth Bader Ginsburg, que também ganhou um filme de ficção, “Suprema”) e “Minding the Gap” conseguiram uma vaga na categoria.

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