Como sempre, a Mostra de Cinema Internacional de São Paulo promete encher as ruas da cidade de cinéfilos em busca de filmes que sejam bons, raros ou que unam as duas qualidades. A extensa lista da programação pode desnortear e, por isso, separamos uma lista com destaques desta edição.

 

3 Faces

Ao longo de uma extensa carreira, Jafar Panahi firmou-se como uma das principais vozes do cinema iraniano. Pelas suas críticas ao governo, foi impedido de deixar o país. “3 Faces” é o seu mais novo trabalho, onde se coloca como espectador da sua própria teia dramática. Isso porque participa como uma versão de si mesmo na história que criou.

Esta segue a jornada da atriz Behnaz Jafari, que recebe um vídeo de uma garota provinciana que relata ter sido impedida de estudar pela sua família. Ela abandona as filmagens em que estava e procura ajuda do diretor Jafar Panahi para encontrar a garota. O filme ganhou o prêmio de melhor roteiro na última edição do Festival de Cannes.

 

A Caixa de Pandora

O clássico de 1928, dirigido por Georg Wihelm Pabst, foi restaurado e escolhido para ser exibido no Parque Ibirapuera sob acompanhamento da Orquestra Jazz Sinfônica no dia 26 de outubro.

O filme causou comoção na época do seu lançamento pela complexidade e ousadia. Baseada em uma peça alemã (por sua vez, inspirada no mito da criação de Pandora), a história é centrada em Lulu, uma dançarina que, na noite de núpcias, mata acidentalmente o marido após tentar se defender do ataque do doutor Schon.

A trama coloca seu poder de sedução como arma que atrai os homens e acaba levando-os à desgraça. O filme conta com Louise Brooks no papel principal, estrela do cinema mudo que ficou conhecida no ápice da sua carreira como “it girl”.

 

A Casa que Jack Construiu

O polêmico Lars Von Trier retorna à Mostra para apresentar seu novo trabalho, “A Casa que Jack Construiu”. Além deste filme, haverá exibições especiais de “Ondas do Destino”, “Europa” e “Elemento de um crime”.

Seu novo longa apresenta um evento emblemático na vida do protagonista: a morte casual de uma mulher. A sensação inesperada de prazer une-se à falta de punição e falta dificuldade em planejar novos assassinatos. Assim, ele passa a matar pessoas de maneira recorrente ao longo de doze anos, quando decide se confessar para um homem chamado Virgílio em uma jornada rumo ao Inferno.

 

A Favorita

Novo filme do excêntrico diretor grego Yorgos Lanthimos, “A Favorita” tem sido ovacionado por todos os festivais onde passa – tendo ganhado o prêmio do júri de Melhor Filme em Veneza, que também considerou Olivia Colman como Melhor Atriz. A repercussão internacional tem levantado muitas especulações sobre indicações ao Oscar nas categorias principais.

A história se passa no início do século XVIII, quando a Inglaterra está em guerra com a França. A rainha Ana ocupa o trono, mas é mentalmente frágil e, por isso, controlada pela amiga lady Sarah. Quando uma ambiciosa serva chamada Abigail chega ao trono, as duas mulheres travam uma batalha baseada em ciúmes e manipulações pelo favoritismo da rainha – e, assim, o poder.

 

 

Amor Até as Cinzas

A Mostra exibirá o novo trabalho do chinês Jia Zhang-ke, que já foi homenageado em uma edição anterior.

“Amor Até as Cinzas” conta a história de Qiao, uma mulher apaixonada por um mafioso local e que, para protegê-lo, dispara uma arma durante uma disputa. Por isso, é condenada a cinco anos de cadeia e, após sair, vai procurá-lo para eles retomarem o romance.

 

Assunto de Família

Hirozaku Kore-eda ganhou reconhecimento internacional pela sensibilidade com que retrata os laços familiares (sanguíneos ou não) em seus filmes, como “Pais e Filhos” e “Ninguém Pode Saber”. Pelo conjunto de sua obra, ele será o receptor deste ano do Prêmio Humanidade.

Kore-eda retoma o tema no recente “Assunto de Família”, que ganhou a Palma de Ouro na última edição do Festival de Cannes. A história é centrada em uma família marginalizada que vive de pequenos furtos e, um dia, encontra uma garotinha na rua. Mesmo sem muitas condições, eles decidem acolhê-la, mas logo são confrontados com as consequências do ato, que testam os laços que os unem.

 

Cafarnaum

O filme da libanesa Nadine Labaki foi ovacionado de pé em diversos festivais internacionais. Optando por trabalhar com não-atores em uma trama ficcional, ela trata do peso que a miséria impõe na vida de um garoto de 12 anos, que mora nas ruas e é obrigado a se comportar como um adulto. A dificuldade em viver com dignidade o leva a tomar uma decisão radical: processar os pais pelo “crime” de terem lhe dado a vida.

“Cafarnaum” vai representar o Líbano na corrida pelo Oscar.

 

Em Chamas

Com “Em Chamas”, o diretor coreano Lee Chang-Dong constrói uma aura de tensão a partir do envolvimento de uma mulher com dois rapazes. Jongsu, um entregador de condições financeiras limitadas, reencontra a antiga vizinha Haemi e se aproxima dela com intenções românticas. Ela, de viagem marcada para a África, pede que ele tome conta do seu gato. Ao voltar, Haemi apresenta a Jongsu um jovem enigmático e rico que ela conheceu na viagem, Ben.

O filme vai representar a Coréia na corrida pelo Oscar.

 

Grass

Em seu novo filme, Hong Sang-Soo faz uma observação das interações humanas, que conciliam rituais a expressões individuais com uma observação sobre o tempo em uma trama passada em um café, onde clientes de diferentes mesas se familiarizam e começam a conversar.

Com filmes estruturalmente simples, mas de alta sensibilidade, o diretor coreano tornou-se adorado pelos admiradores de cinema ao redor do mundo.

 

Guerra Fria

Tendo como pano de fundo a Guerra Fria na década de 50, Pawel Pawlikowski constrói uma história de encontros e desencontros entre duas pessoas de personalidades e aspirações distintas, mas fatalmente ligadas pelo amor. Assim como Panahi, o diretor polonês foi impedido de sair do seu país para apresentar seu filme no Festival de Cannes.

“Guerra Fria” representará a Polônia na corrida pelo Oscar.

 

Infiltrado no Klan

Spike Lee tem como característica o perfil contestador do seu cinema, muito pautado nas questões raciais. “Infiltrado no Klan”, seu novo filme, partiu de um projeto de Jordan Peele (“Corra!”), que se encantou pela descoberta de uma história real: nos anos 70, um jovem policial negro resolveu se infiltrar e expor o Ku Klux Klan. Para isso, construiu uma amizade por telefone com o líder do grupo e convenceu o parceiro de trabalho branco (e judeu) a ir no seu lugar nas reuniões presenciais.

O filme ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes.

 

 

O Grande Circo Místico

De Cacá Diegues, “O Grande Circo Místico” foi o escolhido por comissão especial designada pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na corrida pelo Oscar.

O filme apresenta um universo fantástico onde cinco gerações de uma mesma família segue devotada a trabalhar no circo. No centro, está Celavi, o mestre de cerimônias que nunca envelhece.

 

Rafiki

O filme de Wanuri Kahiu conta a história de duas jovens em processo de descoberta do mundo e firmação de suas identidades. Elas se apaixonam, mas logo percebem a repressão de uma sociedade conservadora. Não obstante, sofrem por serem de famílias que há muito disputam por influência política.

“Rafiki” foi aclamado no festival de Cannes e posteriormente proibido no seu país natal, o Quênia, por ser um filme LGBTQ+. Recentemente, obteve uma liberação temporária referente ao período de sete dias.

Conheça mais sobre a história de censura do filme e, consequentemente, a luta da diretora em assegurar a sua liberdade de expressão clicando aqui.

 

Roma

É o primeiro filme que Alfonso Cuarón dirige desde “Gravidade”, uma transição radical, dadas as diferenças entre as obras. “Roma” é um filme muito mais intimista, filmado em preto e branco e baseado nas lembranças que o diretor possui da vida da mulher que trabalhou como babá na sua casa quando criança. O longa se passa no México dos anos 70 e, através do olhar dela, descreve a convulsão política e social da época. É o filme de encerramento da Mostra.

 

 

The Man Who Killed Don Quixote

Por mais de trinta anos, Terry Gilliam tentou adaptar o livro de Miguel de Cervantes para o cinema, mas foi acometido por sucessivos problemas de produção envolvendo atores, financiamentos e até processos judiciais pela distribuição do conteúdo filmado. A saga rendeu até um documentário de 2002, que explorava a ideia de maldição artística, mas Gilliam finalmente pôde lança-lo neste ano em festivais internacionais.

O filme conta com uma estética lúdica, adequada à visão do diretor, e conta com Adam Driver e Jonathan Price no elenco principal.

 

Utoya- 22 de Julho

Há um apelo do cinema em retratar grandes tragédias. O ataque ocorrido em 22 de julho na Noruega é um desses casos emblemáticos, já que rendeu recentemente dois longas: o primeiro, “22 de Julho”, de Paul Greengrass, foi exibido em festivais e posteriormente lançado na Netflix, e “Utoya – 22 e Julho”, obra de Erik Poppe sobre o assunto, chega à Mostra com o status de ter sido o filme escolhido para representar a Noruega no Oscar.

 

 

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