Por Andressa Araújo

 

Já se passou o tempo em que os dramas adolescentes eram vistos como sem importância ou exagerados – na vida e nas telas – e a mais recente série espanhola disponibilizada na Netflix veio reforçar essa ideia. Estrelado por parte do elenco do fenômeno “La Casa de Papel” (Miguel Herrán, Jaime Lorente e María Pedraza),”Elite” chega ao streaming trazendo uma gama de assuntos necessários, como diferença de classes e cultura, religiosidade, homossexualidade, consumo de drogas e até HIV.

A trama gira em torno da chegada de três alunos de uma escola pública – interpretados por Mina El Hammani, Itzan Escamilla e Herrán – à Las Encinas, o colégio de elite da região. O choque de classe e cultura entre os novatos e os ricos integrantes da instituição, no entanto, gera conflitos entre os estudantes e culmina no assassinato de uma das personagens mais importantes da série. A partir daí, começam-se as investigações para descobrir quem foi o autor do crime.

 

 

Mas a investigação, que é o cerne do seriado, torna-se menos intrigante à medida que as histórias paralelas ao homicídio vão se desenvolvendo. Como um misto de “Rebelde”, “Gossip Girl” e “13 Reasons Why”, “Elite” apresenta triângulos amorosos, chantagens, festanças, conflitos entre pais e filhos e muitas cenas apimentadas (daí a classificação para maiores de 18 anos).

A série conta com personagens diversificados – cujos atores não deixaram à desejar em termos de atuação -, mas peca por depositar muitas informações a cada episódio. O resultado é que temáticas delicadas não saíram da superficialidade, como foi caso do personagem que se assume gay para os pais ou da aluna muçulmana, cujos traços de sua rígida família ou mesmo de sua crença não foram explorados ao máximo.

 

 

No mais, é uma produção que em sua maior parte se revela clichê. Com referências claras a tantos outros sucessos adolescentes, quase toda a trama se torna previsível (inclusive já é possível imaginar o gancho para a segunda temporada). Trata-se de uma fórmula montada, combinando o que já deu certo em produções do gênero anteriormente (o conflito de classes, a rebeldia dos adolescentes, os relacionamentos amorosos conturbados…) para alcançar outro sucesso do momento. Em termos de entretenimento, a Netflix já provou que sabe o que faz.

A exceção a toda essa previsibilidade são os próprios personagens, que fogem um pouco dos estereótipos típicos do high school (o popular, o nerd, o atleta…) para se revelarem mais complexos. Muitos deles não são nem mocinhos, nem vilões, mas todos enfrentam questões delicadas, reforçando, novamente, o peso das responsabilidades do adolescente. No final, o que impacta nessa primeira temporada de “Elite” não é assassinato em si, mas seus personagens e até onde eles são capazes de ir por suas paixões.

 

Pôster

 

 

 

 

 

 

 

 

Ficha Técnica

 

Ano: 2018 – (em andamento)

Número de episódios: 8 episódios (1ª temporada)

Nacionalidade: Espanhola

Gênero: Drama

Criadores: Carlos Montero, Darío Madrona

Elenco: María Pedraza, Miguel Herrán, Jaime Lorente, Itzan Escamilla

 

Trailer: 

 

Imagens:

Avaliação do Filme

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