Todo final de ano propõe uma reflexão sobre a multiplicidade das obras audiovisuais lançadas no mercado comercial. Inevitavelmente, nesta avaliação, algumas se destacam – seja para o bem ou para o mal. Confira a nossa lista dos melhores e piores filmes e séries de 2018.  

 

Melhor Filme do Ano

Infiltrado na Klan

 

O ano produziu, em geral, bons filmes, que emocionaram, empolgaram e propuseram debates relevantes. Nenhum, no entanto, combinou estes elementos tão bem quanto “Infiltrado na Klan”, baseado na fantástica história de Ron Stallworth, um policial negro que, na década de 70, conseguiu se infiltrar na organização supremacista KKK. O longa de Spike Lee, ao fazer piada da idiotice dos racistas, diverte, ao mesmo tempo em que propõe uma pungente reflexão: a de que, infelizmente, tantas décadas depois, pouco de fato mudou.

 

 

Melhor Filme Infantil

As Aventuras de Paddington 2

 

Baseado em um adorado personagem britânico, “As Aventuras de Paddington” (2014) encantou jovens e adultos com uma trama leve e engraçada, tendo como base as trapalhadas do pequeno urso viciado em marmelada. A sua continuação não decepcionou; de fato, aprofundou o universo, explorando arquétipos como forma de enaltecer comportamentos e sentimentos positivos. Um filme simplesmente adorável.  

 

Melhor Filme de Ação

Missão Impossível – Efeito Fallout

 

A segunda colaboração de Christopher McQuarrie para a saga comandada por Tom Cruise levou a história de Ethan Hunt a outro patamar: não faltam cenas eletrizantes de combates, com o protagonista se jogando de prédios ou pendurado em helicópteros. Narrativamente, combinou elementos de todos os filmes anteriores, construindo uma sensação de inevitabilidade que fez os espectadores prenderem o fôlego.

 

Melhor Comédia

A noite do Jogo

 

“A Noite do Jogo” trabalha na premissa da construção da comédia por uma série de desventuras ocorridas em um curto espaço de tempo. O modo inteligente como o roteiro trabalha isso, no entanto, nos faz lembrar de que o gênero – quando bem explorado – pode produzir um resultado inteligente e absolutamente hilário. Além disso, o sucesso do filme também nos faz relembrar o quão as comédias estão cada vez mais escassas, o que não deixa de ser uma pena.

 

Melhor Filme de Super-Herói

Pantera negra

 

Com dez anos de amplo investimento na construção do universo cinematográfico, a Marvel finalmente decidiu explorar a origem de um dos seus adorados heróis, o Pantera Negra. O filme de Ryan Coogler trabalhou de forma excepcional elementos tradicionais da cultura africana em uma trama bem fundamentada. O cuidado foi percebido nas mais diversas áreas de produção, da trilha sonora ao figurino, passando pela cenografia de Wakanda e preocupação em aprofundar os personagens principais. Pela excelência e representatividade, “Pantera Negra” foi o melhor filme de super-herói do ano.

 

Melhor Filme Autoral

Roma

 

Após conquistar o Oscar por “Gravidade”, Alfonso Cuarón decidiu seguir o caminho contrário ao da indústria, se lançando na confecção de uma obra autoral, remetente à sua infância, usando como inspiração a babá que cuidou dele quando criança. O mercado tradicional de Hollywood não demonstrou a mesma empolgação, o que abriu as portas para o investimento da Netflix, ansiosa em dar um salto qualitativo na sua programação e, assim, conquistar o respeito definitivo de Hollywood.

“Roma” combina os interesses diversos em uma obra tecnicamente apurada, que propõe um olhar reflexivo sobre um tipo de personagem (infelizmente) pouco visto em obras audiovisuais. Com isto, o diretor produziu cinema em sua mais pura forma.

 

Melhor Filme Nacional

Todas as Canções de Amor

 

“Todas as Canções de Amor” é um filme pequeno, intimista, o primeiro lançamento da Galeria Distribuidora, braço mais comercial da Vitrine Filmes. Em um ano de ótimas produções, como “As Boas Maneiras”, “O Animal Cordial” e “Benzinho”, ele se destacou no cenário nacional pela poesia com que a diretora Joana Mariani teceu duas histórias sobre o amor, unidas por ótimas músicas brasileiras. O resultado em tela é uma obra que debate visões opostas sobre um tema de forma leve e envolvente. A cena final, que contextualiza os acontecimentos, nos propõe a reflexão sobre a infinidade de histórias de amor que acontecem todos os dias pelos cantos do país. Por estes méritos, o elegemos o melhor filme nacional do ano.  

 

Melhor Filme Adolescente

O Ódio que Você Semeia

 

Histórias que exploram o processo de construção de identidade em geral focam nas amizades adolescentes ou a descoberta do primeiro amor. “O Ódio que Você Semeia” quebra esta lógica ao inserir no caldeirão uma detalhada discussão sobre raça e preconceito no contexto americano, mostrando-se, assim, um filme extremamente relevante para todas as idades.

 

Melhor Musical

O retorno de Mary Poppins

 

Cinquenta e quatro anos após o lançamento de “Mary Poppins”, a Disney se dispôs a fazer uma continuação. Esta foi muito bem-sucedida na missão de homenagear o filme original e atualizar o universo construído em conjunto pela escritora P. L. Travers e Walt Disney. “O Retorno de Mary Poppins” possui uma mensagem edificante, embalada em músicas charmosas e passagens extremamente divertidas, como a que as crianças embarcam com a babá (agora vivida por Emily Blunt) para uma aventura no fundo do mar.

 

Melhor Animação

Os Jovens Titãs em Ação! – Nos Cinemas

 

Uma surpresa para os espectadores, aquele que parecia ser apenas um filme infantil fascinou ao inserir em sua trama diversas referências preciosas aos adultos, que vão de referências ao universo de super-heróis ao resgate de músicas bem conhecidas dos anos 80 e 90. Despretensiosamente, “Os Jovens Titãs em Ação! – Nos Cinemas” vai além da sua promessa de divertir as crianças, encantando também os adultos que se propõem a assisti-lo.

 

Melhor Série

Kidding

 

A nova colaboração de Jim Carrey com o diretor Michel Gondry tantos anos após “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” deixou os cinéfilos empolgados; afinal, também marcava o retorno do ator aos holofotes. “Kidding” conseguiu superar em muitos as expectativas, crescendo exponencialmente a cada episódio recheado de lirismo e melancolia. Ao retratar a jornada de Jeff Pickles, tocou em temas sensíveis como a morte, o reconhecimento, a criação artística e seu inevitável viés comercial. Ao mesmo tempo triste e lindo, foi, sem dúvidas, a mais grata surpresa do ano.

 

Melhor Original Netflix

A Maldição da Residência Hill

 

“A Maldição da Residência Hill” chegou a programação sem grandes alardes, mas logo caiu no gosto popular, alavancando sua exposição na plataforma de streaming. Em meio a uma infinidade de conteúdos, diferenciou-se pelas qualidades narrativas e técnicas. A série saiu do plano comum ao explorar uma história típica do terror pelo viés afetivo, pautando-se na relação entre familiares, além de ter demonstrado consistente refinamento estético ao longo dos episódios, a exemplo sexto, totalmente construído em plano-sequência.

 

Maior Decepção

Han Solo – Uma História Star Wars

 

A nova fase do universo Star Wars nos cinemas, com o advento de “Star Wars – O Despertar da Força” elevou as expectativas dos fãs para as obras seguintes, não totalmente decepcionados até o lançamento de “Han Solo – Uma História Star Wars”. Um filme de origem mal feito, ele falha em suscitar qualquer emoção além do tédio, além de danificar o mito criado em torno do personagem. Embora tenha obtido bons números nas bilheterias em países como o Brasil, a repercussão negativa levou a equipe comandada por Katlheen Kennedy a rever o plano de lançar um filme temático por ano.

 

Pior Investimento

Carvana – Como se Faz um Malandro

 

Hugo Carvana, artista renomado pelos sessenta anos dedicados ao aprimoramento do ofício de ator, seria um ótimo tema de documentário, pensou o diretor Lulu Côrrea. O público, porém, não compartilhou do mesmo interesse: o filme ficou em cartaz por somente duas semanas e teve míseros 136 ingressos vendidos. 

 

Pior Filme Nacional

O Grande Circo Místico

 

O peso do nome de Cacá Diegues ajudou a cimentar expectativas ao redor de “O Grande Circo Místico”, favorecido também pela exibição especial no Festival de Cannes (embora com críticas terríveis) e a escolha do filme para representar o Brasil na corrida pelo Oscar (onde, sem surpresas, não obteve sucesso).

A decepção ao assistir o longa mistura-se à confusão de quem, apesar de muitos esforços, não consegue entender uma razão para aquela obra existir. Aos poucos, o enfado toma conta, somando-se a incredulidade com que se observa o “clímax”, uma das cenas mais desnecessárias dos últimos tempos. Um total equívoco.

 

Pior Filme do Ano

Crimes em Happytime

 

“Crimes em Happytime” é aquele típico filme que o público sabe que vai ser ruim, mas se admira do quanto. Com Melissa McCarthy perdida no papel principal fazendo piadas de vício em açúcar, o longa não vai muito além das tentativas frustradas de fazer humor ao unir fantoches de pelúcia – tradicionalmente infantis – com situações sexuais toscas. Uma absoluta perda de tempo.

 

 

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